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Pra falar de amor

E lá estava ela, encostada na cama com ele deitado em seu colo, olhos fechados e os longos cabelos caídos pelo rosto, rosto que agora ela contemplava, fino e branco e os lábios em forma de coração. Ela pensa como foi que nos conhecemos mesmo?

Ah, sim! Ela lembrou, foi naquele jogo de aventura simulada há quase dois anos. É claro que ela nem esperava por isso, até por que, eles acabaram de se conhecer.

Fim de férias, ano novo, escola nova, hora de fazer a matricula e olha só quem está lá, é ele! Os dois estavam matriculados no mesmo curso, na mesma turma. Menos mal, ela pensou, pelo mesmo um conhecido.

Inicio de aula, novos amigos, velhos conhecidos. Conversa vai, conversa vem, descoberta de coisas em comum. E eles viraram amigos. Dias passam, semanas passam, brincadeiras, risadas, olhares…

Um comentário com alguma amiga “Ele é bonito, mas é só meu amigo”. Mas ela já não sabia se considerava ele só um amigo, havia algo naqueles olhos caídos e cara de bobo que fazia seu coração bater mais forte, algo naquele sorriso a hipnotizava, e ela não sabia dizer se aquilo ainda era amizade. Mas e se pra ele fosse só amizade? Ela não queria correr o risco, achou melhor deixar tudo como estava.

Ela não sabia, mas ela não queria deixar tudo como estava. Ela não sabia, mas ele gostava dela. Ele não sabia, mas ela gostava dele.

Eles se encontraram no final de semana, conversa vai, conversa vem e ele decide tomar a iniciativa “Ei, tenho uma coisa pra te falar. Eu estou a fim de você”. Primeiro beijo, primeiro encontro, primeira trocas de olhares reciproca (e as outras não eram?).

Ela ainda o beija como se fosse a primeira vez, ele ainda a trata como se quisesse conquista-la. Do amor eles entendem.

Incondicional

Mesmo você me enlouquecendo todos os dias, mordendo tudo o que vê pela frente, eu ainda te amo, incondicionalmente. Mesmo quando eu chego em casa com aquele casaquinho cinza que você adora morder, e morde mesmo, alargando toda manga dele, eu te amo. Mesmo quando você chega mordendo meu cabelo e lambendo minha cara, isso alias eu amo.  Eu te amo até quando você apronta, quando você rasga o jornal ou tenta arrancar o laço do meu chinelo. Até quando você me faz chorar quando você fica doente, por que você adora comer tudo o que vê pelo quintal e acaba ficando com uma intoxicação. Eu amo quando eu sento no chão e você vem correndo pro meu colo, lambendo meu rosto ou se aconchegando nos meus braços.

 Esses dois últimos meses foram incríveis: é impossível descrever o quanto fico feliz quando, ao sair de manhã de casa, você vem me dar um bom dia e pular no meu colo. Ai você dorme o dia inteiro e a noite fica acordada, roendo seu osso. Eu te amei desde a primeira vez que te vi, chegando em casa, com a pessoa que te salvou (pai), chegou brincando, pulando, como se fosse de casa. É difícil escrever sem sentir os olhos lacrimejando e a garganta apertada.  Simplesmente por que, mesmo depois de ficar o dia todo fora de casa, você ainda me espera, me faz festa e me olha de um jeito, tipo assim, “tudo bem, eu estou aqui”.

Sobre mudanças e outras coisas

Seis e meia da manhã, neblina, mas o céu promete um dia de sol, mesmo sendo comecinho de inverno.  Ônibus vazio – coisa rara. Mais meia hora de espera até o próximo ônibus. De repente aquele frio corta a barriga – e o coração – estranho pensar que aquela rotina está próxima do fim, mesmo sendo por uma boa causa. Os pensamentos de pesar são trocados pelo ritmo indie da música. O ônibus chegou esse sim, lotado como de costume. Chega o destino final: correria, coisas para consertar, chamados para atender, risadas, uma pausa para o café, uma piada quem sabe. Meio dia, nossa já meio dia! Almoço. Corre para o próximo ônibus, a balada indie tocando, tentativas de ligações frustradas para o namorado, corre pra outro ônibus, mais dez minutos e chega o destino final. Risadas, desenhos, correções e uma sensação de conforto no coração. Três e meia. Pega o próximo ônibus, ligação para o namorado, outro ônibus, casa em fim! Uma olhada rápida nos e-mail corre para o banho, van, escola.

Ah, a escola! Ultimo dia! Chega, troca algumas palavras com um colega, o único a ir, espera alguns minutos, fita o corredor extenso e vazio, aquele mesmo corredor percorrido varias vezes, indo pra aulas, saindo de aulas, fugindo delas com alguma amiga. Uma olhada nas pessoas: o cara com estilo hard anos 90, o “tio” que sempre estava com ele, alguns professores. Sala de aula, ultima olhada nas notas, um tchau meio sem jeito aos professores: “tchau, até um dia ou sei lá”. Esperar uma hora pelo “perueiro”. Uma olhada final a escola vazia. Não houve despedidas, nem abraços apertados, nem lagrimas e nem choro. Foi melhor assim, ficou a esperança de um próximo encontro pra dar um tchau, ou pra ter a certeza que esse será adiado por muito tempo.

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